quarta-feira, 9 de setembro de 2009

EM PLENA FLORESTA, PROFESSORES SATERÉ MAUÉ SE FORMAM COM BECA E JURAMENTO

Sob o escaldante sol da Amazônia, 39 indígenas da etnia sateré maué comemoraram o 7 de setembro de um jeito diferente. Na comunidade do Marau, localizada a pouco mais de duas horas de lancha do município de Maués (a 269 km de Manaus), o grupo se transformou na primeira turma indígena da secular Ufam (Universidade Federal do Amazonas) a receber um diploma de nível superior. Para celebrar a data, uma festa de formatura com direito a beca e juramento foi montada na própria aldeia onde vive a maioria dos formandos.
Maués tem uma população de aproximadamente 49 mil habitantes dos quais ao menos 5 mil são indígenas da etnia Sateré Maué. Eles são conhecidos pelo manuseio do guaraná, planta que é cultivada no município e vendida como matéria-prima de refrigerantes e como estimulante natural. A conquista dos índios sateré-maué tem algo de emblemático. Eles vivem afastados dos grandes centros urbanos e a única chance de conseguirem formação em nível superior restringia-se a deixar as aldeias em direção a cidades próximas como Maués, Parintins ou Manaus. Para o coordenador de educação indígena de Maués, Euro Alves, esse "êxodo" seria prejudicial aos 1.976 alunos indígenas do município. "Temos poucos professores. Se eles saíssem para estudar, traria um prejuízo enorme pra gente", diz. A saída encontrada pela prefeitura de Maués foi levar a formação até os indígenas. Um convênio com a Ufam firmado em 2004 resolveu, em parte, o problema. A universidade levou professores do curso de licenciatura plena em ciências naturais para dentro da floresta.
Durante quatro anos, os indígenas passaram suas férias na comunidade Paraíso, uma instalação erguida na selva por missionários católicos. Lá, quase todas as 54 disciplinas do curso foram ministradas. Durante meses, os índios deixavam suas aldeias para frequentarem as aulas. Algumas "cadeiras" que demandavam mais infra-estrutura, como informática, foram ministradas na sede do município. "Foi muito cansativo. A gente não teve férias. Quando não estava na sala dando aula, estava na sala tendo aula", brinca a formanda Aliete Maria da Silva, 32. O responsável pela turma indígena, professor Takeshi Matsuura, 35, diz que essa foi uma das experiências pedagógicas mais enriquecedoras de sua vida. "Eu nunca tinha trabalhado com índios. Eles se mostraram alunos exemplares", elogia Takeshi. Ele explica que o curso de ciências naturais repassou noções de biologia, química, física, informática além de outras disciplinas. Com essa formação, garante, "os formandos poderão ministrar o ensino indígena com melhor qualidade". O coordenador administrativo do programa especial de formação docente da Ufam, José Felício da Silva, admite, porém, que a formação dada aos professores do Marau é generalista se comparada a dos professores que atuam nas cidades. "Realmente, é uma formação genérica, mas temos que levar em consideração a carência dessas populações. Com certeza, agora, os professores estão mais bem preparados que antes e vão poder dar aulas melhores", afirma Felício.
Formatura
Ao contrário do que se pode imaginar, a festa de formatura dos saterés não teve rituais com índios trajando cocares e tocando flautas. Os formandos vestiam becas negras como qualquer aluno do mundo. No cardápio, em vez de um buffet tradicional, o menu trazia carne de boi assada e sapó, um preparado de água e pó de guaraná ralado na língua do pirarucu, o maior peixe de água doce do mundo. A bebida, dizem, tem efeito estimulante. A região do rio Marau, onde houve a formatura, tem pouco mais de 3,2 mil índios saterés é composta por pequenas comunidades de casas de madeira cobertas com palha. Há muito tempo os saterés deixaram de viver em malocas. Na maioria das comunidades indígenas da Amazônia, as malocas foram combatidas por missionários religiosos que viam as casas coletivas como redutos de "promiscuidade". Na comunidade do Marau, a maior parte da população divide-se entre católicos e evangélicos. As habitações ficam no alto de um pequeno morro e se dispõem ao longo de quase um quilômetro mata adentro. Uma das únicas construções de alvenaria do local é a escola municipal indígena, que atende os alunos das redondezas. Além das iguarias, o toque indígena da cerimônia de formatura ficou por conta do juramento. Cristina Santos de Souza lia o texto em português enquanto Madalena Alves Alves traduzia e repetia o texto na língua materna dos sateré. Em coro, os demais formandos repetiam as frases em sateré mostrando que o cerne da cultura local ainda resiste ao contato de mais de 300 anos com o homem branco.
Dificuldades
Ministrar um curso superior na selva não é tarefa fácil, garante Takeshi Matsuura. Para ele, a principal dificuldade enfrentada por alunos e professores infraestrutura para as aulas. "O deslocamento era muito grande e nós vivíamos num esquema de confinamento. Ficávamos lá durante algumas semanas dando as aulas. Foi muito puxado", explica.Takeshi diz que houve uma seleção criteriosa para a escolha do corpo docente. "Não queríamos alguém para doutrinar os índios. Nós viemos para ensinar como as coisas funcionam no mundo dos brancos. Se eles entenderem que isso funciona para eles, tudo bem, se não, eles ignoram e está tudo certo. Não viemos 'catequizar' ninguém", afirma. Aristíade Michiles, 62, é o formando mais velho da turma. Atua como professor há 15 anos nas comunidades indígenas do rio Marau. Diz que virou professor porque viu que sua comunidade era carente em educação. "Quando eu comecei a dar aula, a maioria dos mais novos tinha que sair da aldeia para completar os estudos. E quando eles saem da aldeia, muitos não voltam e isso é ruim para o nosso povo", diz Aristíade. Euro Alves afirma que a graduação dos 39 professores indígenas deve minimizar o êxodo de alunos. " A educação é a principal porta de saída dos nossos índios para a cidade. Essa formatura é muito importante para nós porque sinaliza uma possibilidade de formação melhor para os nossos mais novos", explica. Durante quatro anos, os indígenas passaram suas férias na comunidade Paraíso, uma instalação erguida na selva por missionários católicos. Lá, quase todas as 54 disciplinas do curso foram ministradas. Durante meses, os índios deixavam suas aldeias para frequentarem as aulas. Algumas "cadeiras" que demandavam mais infra-estrutura, como informática, foram ministradas na sede do município. "Foi muito cansativo. A gente não teve férias. Quando não estava na sala dando aula, estava na sala tendo aula", brinca a formanda Aliete Maria da Silva, 32. O responsável pela turma indígena, professor Takeshi Matsuura, 35, diz que essa foi uma das experiências pedagógicas mais enriquecedoras de sua vida. "Eu nunca tinha trabalhado com índios. Eles se mostraram alunos exemplares", elogia Takeshi. Ele explica que o curso de ciências naturais repassou noções de biologia, química, física, informática além de outras disciplinas. Com essa formação, garante, "os formandos poderão ministrar o ensino indígena com melhor qualidade". O coordenador administrativo do programa especial de formação docente da Ufam, José Felício da Silva, admite, porém, que a formação dada aos professores do Marau é generalista se comparada a dos professores que atuam nas cidades. "Realmente, é uma formação genérica, mas temos que levar em consideração a carência dessas populações. Com certeza, agora, os professores estão mais bem preparados que antes e vão poder dar aulas melhores", afirma Felício.

OCDE: investimento por aluno é quatro vezes menor no Brasil

Relatório divulgado nesta terça pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que o gasto médio por estudante na educação básica entre os países-membros é de US$ 6,4 mil. No Brasil, o custo com um aluno da mesma etapa é quatro vezes menor: US$ 1,5 mil.
Os dados são referentes aos anos de 2006 e 2007. Participaram do estudo os 30 países membros da OCDE e um grupo de associados que inclui Brasil, Alemanha, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Japão, Chile, entre outros.
Na chamada educação secundária, equivalente ao ensino médio, o gasto médio dos países da OCDE por estudante é de US$ 8 mil, cinco vezes o valor investido no Brasil. No ensino superior, o valor investido pelo país é mais próximo ao gasto dos países da organização: US$ 10.067 contra US$ 12.226.
O estudo diz ainda que, nos países da OCDE, 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB) é o percentual médio investido em educação. No Brasil, em 2006, foi investido 4,9% do PIB para cobrir todas as etapas de ensino.
De acordo com a organização, "os gastos nas instituições de ensino como percentual em relação ao PIB mostram como um país prioriza a educação".
De 2000 a 2006, o investimento em educação nos países da OCDE, combinando todos os níveis de ensino, aumentou, em média, 23%. Nesse mesmo país, segundo o relatório, o Brasil elevou os gastos em 57%.

Ensino superior eleva renda do brasileiro em 100%, diz OCDE

Na maioria dos 30 países-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a conclusão do ensino superior aumenta em 50% a renda dos trabalhadores. No Brasil, os ganhos excedem 100%. É o que aponta o relatório Panorama da Educação, divulgado nesta terça pelo órgão.
O relatório destaca que, diante da crise econômica mundial, investimentos em educação podem ajudar os países a se recuperar. Os dados são referentes aos anos de 2006 e 2007. Participaram do estudo os membros da OCDE e um grupo de países associados que inclui, além do Brasil, Alemanha, Austrália, Bélgica, Canadá, Coreia do Sul, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Japão, Chile e México.
Os ganhos para aqueles que concluem a educação secundária, equivalente ao ensino médio brasileiro, aumentam em 50% em 17 dos 28 países. Percentual semelhante é registrado no Brasil.
O relatório aponta ainda que as taxas de conclusão da educação secundária entre os adultos (de 25 a 64 anos) na maioria dos países analisados é de 60%. O número é bem inferior ao verificado no Brasil, onde 63% da população na mesma faixa etária não concluiu esse nível de ensino.
Em média, 34% da população jovem entre 25 e 34 anos dos países membros e parceiros concluiu o ensino superior. O relatório aponta que no Brasil esse índice é bastante inferior: apenas 10% dos jovens terminam a etapa.
Agência Brasil

Conheça os 10 cursos com melhores notas no ENADE

O curso de Engenharia Eletrônica do Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA) conquistou a maior nota no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) em 2008. A avaliação do Ministério da Educação (MEC) foi divulgada nesta quinta-feira. Veja abaixo os 10 melhores colocados - todos obtiveram nota 5 (cinco) no conceito Enade.
1- Engenharia Eletrônica: Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) 2- Matemática: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho- Guaratinguetá -SP 3- Letras: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho 4- Engenharia Agrícola: Universidade Federal de Lavras (UFLA) 5- Computação e Informática: Bacharelado em ciência da computação: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) 6- Computação e Informática: Bacharelado em ciência da computação: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) 7- Engenharia: Instituto Militar de Engenharia 8- Matemática: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho- Ilha Solteira-SP 9- Letras: Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ) 10- Engenharia Telecomunicações: Instituto Militar de Engenharia.
Estes cursos também obtiveram melhores notas no CPC Contínuo - indicador composto pela nota obtida pelo curso no Enade, além de outros fatores que contribuem para a qualidade da formação do aluno, como o corpo docente, a infraestrtura e o projeto pedagógico da instituição. A nota do exame vai de 1 a 5, sendo 1 e 2 considerados insatisfatórios, 3 razoável e 4 e 5 bons. Veja aqui a lista completa.
Os Estados com maior quantidade de graduações de baixa qualidade (com CPC 1 e 2) são Amazonas, Amapá, de Alagoas, Sergipe, Goiás e o Distrito Federal. No DF, os cursos com conceito insatisfatório são 42% da oferta.
O Rio de Janeiro obteve o maior percentual de cursos com CPC 5 (4,29%), além de Distrito Federal (2,68%), Minas Gerais (2,17%), Mato Grosso do Sul (2,17%) e do Rio Grande do Norte (2,11%).
No total são 7.329 os cursos avaliados, nas áreas de Matemática, Letras, Física, Química, Biologia, Pedagogia, Arquitetura e Urbanismo, História, Geografia, Filosofia, Computação, Ciências Sociais e Engenharia, além de cursos da área de Tecnologia em Alimentos, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Automação Industrial, Construção de Edifícios, Fabricação Mecânica, Gestão da Produção Industrial, Manutenção Industrial, Processos Químicos, Redes de Computadores e Saneamento Ambiental.
Redação Terra

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Pressão alta é relacionada a problemas de memória na meia-idade

A hipertensão pode levar a infarto, acidente vascular cerebral e insuficiência renal terminal. E, de acordo com pesquisa publicada na revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia, também está ligada à maior propensão de desenvolver déficit cognitivo (de conhecimento) e problemas de memória e de habilidade de pensamento em quem está na meia-idade.
O estudo envolveu cerca de 20 mil pessoas a partir de 45 anos que nunca haviam tido um AVC ou mini-AVC. Desse total, 49,6% tomavam medicamentos para pressão alta e 7,6% apresentaram prejuízo cognitivo.
Os resultados apontam que a pressão diastólica elevada (menor número da leitura da pressão) leva ao enfraquecimento de pequenas artérias do cérebro, o que pode resultar no desenvolvimento de áreas de lesão cerebral. Para cada aumento de 10 pontos na leitura, as chances de ter problemas cognitivos se mostraram 7% mais altas.
"É possível que, com a prevenção ou o tratamento de pressão alta, nós poderíamos evitar o prejuízo cognitivo, que pode ser um precursor para a demência", disse o autor do estudo, Georgios Tsivgoulis, da Universidade do Alabama em Birmingham e membro da Academia Americana de Neurologia, ao site Science Daily.
Os cientistas avisam que mais pesquisas são necessárias para confirmar a relação entre hipertensão e os problemas cognitivos.
HipertensãoOs adultos são os mais atingidos pela hipertensão - cerca de 30%, como informa a Sociedade Brasileira de Hipertensão. Mais de 50% das pessoas na faixa da terceira idade têm pressão alta. No Brasil, a doença é responsável por 40% dos infartos, 80% dos acidentes vasculares cerebrais e 25% dos casos de insuficiência renal terminal.
As dicas de prevenção e controle da patologia são manter uma alimentação equilibrada, evitar a obesidade e o sedentarismo, medir a pressão pelo menos uma vez por ano, reduzir o consumo de álcool (se possível, abandoná-lo), deixar de lado o tabagismo e não se estressar. Vale lembrar que os hipertensos não podem parar o tratamento, que é para a vida toda.

Patricia Zwipp