quinta-feira, 4 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
A Sociedade, o Indivíduo e a Educação que Temos e Queremos
O sistema educacional brasileiro está inserido no contexto do sistema
global capitalista que atualmente se encontra em crise.
Para melhor entender tal crise, a formação de um projeto político-pedagógico
é necessária, ou melhor, a formação de um projeto de uma educação para a
emancipação humana.
Para pensarmos em um projeto emancipatório, temos que analisar algumas
questões: a sociedade, o indivíduo e a educação que temos e que queremos. De
início faremos um breve histórico da sociedade que temos, em seguida a
perspectiva que temos; posteriormente uma reflexão do indivíduo que temos e que
queremos e finalmente um apanhado histórico da educação que temos e sua
perspectiva.
Analisamos a sociedade que temos a partir de um breve histórico. Na
Comunidade Primitiva, onde o modo de produção era comunal, tudo era feito em
comum, não havia classes sociais. Em seguida, os povos da Antiguidade e,
posteriormente, a sociedade na Idade Média possuíam ainda algumas
características da sociedade antiga. O meio dominante de produção era a terra e
a forma econômica dominante era a agricultura.
As sociedades pré-modernas não possuíam consciência histórica. Elas eram
capazes de reproduzir-se por períodos extremamente longos; o trabalho não
constituía uma esfera separada, existia inferioridade social e dependência.
Por fim, a sociedade moderna que contou com uma força destrutiva para seu
progresso foi a invenção das armas de fogo, ou seja, estavam sendo destruídas
as formas pré-modernas, elementos fundamentais do capitalismo passaram a
existir porque contaram com a economia militar e de armamento.
Para ganhar dinheiro as pessoas passaram a vender sua força de trabalho.
Rompidas as relações naturais com base em laços de sangue em que a nobreza e a
servidão eram passadas de pai para filho, na modernidade capitalista as
relações passam a ser sociais. Inaugura a existência da crítica social: uma
imanente ao sistema, e outra categorial. O capitalismo sem limites tinha como
objetivo a transformação do dinheiro em dinheiro; o dinheiro é a encarnação do
trabalho, ou melhor, o fundamento do sistema capitalista reside na produção do
valor, a valorização do dinheiro.
Logo, o capitalismo com limites reduzia o tempo de trabalho ou continuava
com o tempo de trabalho como medida de produção; desviava a aplicação do
capital; surgia um novo caminho, mercado financeiro; uma grande parte não
conseguia mais existir dentro das formas sociais capitalistas. Podemos lembrar
que a crise se manifesta nos próprios países núcleo-capitalistas.
A necessidade de fazer um apanhado histórico da sociedade em que vivemos
veio demonstrar claramente que chegamos a uma sociedade capitalista em crise,
global-terminal-estrutural; tendo como objetivo enfocar elementos teóricos
básicos e decisivos para entendermos melhor como podemos elaborar um projeto
emancipatório, norteado pelos aspectos apresentados.
Nossa perspectiva em relação à sociedade é estarmos inseridos em uma
sociedade mundial que não necessita mais de fronteiras, na qual todas as
pessoas possam se deslocar livremente e existir em qualquer lugar o direito de
permanência universal.
O homem moderno simplesmente não consegue imaginar uma vida além do
trabalho. O homem adaptado ao trabalho, ou seja, a um padrão; está fazendo com
que a qualidade específica do trabalho perca-se e torne-se indiferente.
O homem moderno não passa de mercadoria produzindo mercadoria e vendendo sua
própria mercadoria. As mulheres tornam-se responsáveis pela sobrevivência em
todos os níveis. Os homens tornam-se dependente de uma relação abstrata do
sistema.
Como já mencionamos antes, a perspectiva que temos é a constituição de um
sujeito como objetivo, capaz de construir uma sociedade igualitária, criativa,
diversa, livre e prazerosa no ócio.
Na Comunidade Primitiva, relacionando-se com a terra, com a natureza entre
si as pessoas se educavam e educavam as novas gerações; não havia escola. Na
Antiguidade, com o aparecimento de uma classe social ociosa, surge uma educação
diferenciada, surge a escola. Só tinham acesso à escola as classes sociais
ociosas, a maioria que produzia continuava se educando no próprio processo de
produção e da vida.
Na Idade Média, a maioria continuava se educando no próprio processo de
produzir a sua existência e de seus senhores através das atividades
consideradas indignas, a forma escolar da educação é ainda uma forma
secundária.
É na sociedade moderna que se forma a ideia de educação para formar
cidadãos, escolarização universal, gratuita e leiga, que deve ser estendida a
todos; a escola passa a ser a forma predominante da educação.
De acordo com Enguita (1989), era preciso inventar algo melhor e inventou-se
e reinventou-se a escola; criaram escolas onde não havia, reformaram-se as
existentes e nelas introduziu-se a força toda a população infantil. A
instituição e o processo escolar foram reorganizados de forma tal que as salas
de aula se converteram no lugar apropriado para se acostumar às relações
sociais do processo de produção capitalista, no espaço institucional adequado
para preparar as crianças e os jovens para o trabalho.
O que queremos é a emancipação da educação como princípio educativo e a
formação de um sujeito da emancipação como objetivo.
Este trabalho foi realizado tendo por base uma fundamentação histórica da sociedade em que vivemos, para então, em particular analisarmos a situação atual de nossa educação que hoje está inserida em uma sociedade em crise.
Este trabalho foi realizado tendo por base uma fundamentação histórica da sociedade em que vivemos, para então, em particular analisarmos a situação atual de nossa educação que hoje está inserida em uma sociedade em crise.
A superação dessa sociedade visa a formulação de um projeto emancipatório
que pretende construir uma nova sociedade que vá além do valor, do dinheiro, da
mercadoria, do trabalho, do Estado e da política.
Por Rodiney Marcelo Braga dos Santos
Colunista Brasil Escola
Especialista em Gestão Escolar (UECE).
E-mail: professormarcelobrga@oi.com.br
Colunista Brasil Escola
Especialista em Gestão Escolar (UECE).
E-mail: professormarcelobrga@oi.com.br
A fantasia das três raças brasileiras
Na atualidade não existe nenhuma sociedade ou grupo social que não possua a
mistura de etnias diferentes. Há exceções como pouquíssimos grupos indígenas
que ainda vivem isolados na América Latina ou em algum outro lugar do planeta.
De modo geral, as sociedades contemporâneas são o resultado de um longo
processo de miscigenação de suas populações, cuja intensidade variou ao longo
do tempo e do espaço. O conceito “miscigenação” pode ser definido como o
processo resultante da mistura a partir de casamentos ou coabitação de um homem
e uma mulher de etnias diferentes.
A miscigenação ocorre na união entre brancos e negros, brancos e amarelos e
entre amarelos e negros. O senso comum divide a espécie humana entre brancos,
negros e amarelos, que, popularmente, são tidos como "raças" a partir
de um traço peculiar – a cor da pele. Todavia, brancos, negros e amarelos não
constituem raças no sentido biológico, mas grupos humanos de significado sociológico.
No Brasil, há o “Mito das três raças”, desenvolvido tanto pelo antropólogo
Darcy Ribeiro como pelo senso comum, em que a cultura e a sociedade brasileiras
foram constituídas a partir das influências culturais das “três raças”:
europeia, africana e indígena.
Contudo, esse mito não é compartilhado por diversos críticos, pois minimiza
a dominação violenta provocada pela colonização portuguesa sobre os povos
indígenas e africanos, colocando a situação de colonização como um equilíbrio
de forças entre os três povos, o que de fato não houve. Estudos antropológicos
utilizaram, entre os séculos XVII e XX, o termo “raça” para designar as várias
classificações de grupos humanos; mas desde que surgiram os primeiros métodos
genéticos para estudar biologicamente as populações humanas, o termo raça caiu
em desuso.
Enfim, "o mito das três raças" é criticado por ser considerado uma
visão simplista e biologizante do processo colonizador brasileiro.
Orson Camargo
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Sociologia e Política pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP
Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Sociologia e Política pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP
Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
A Utopia de Morus e o mundo moderno
A Utopia de Thomas Morus permite debater questões centrais da modernidade.
O termo utopia tem uma utilização bastante comum
quando temos o desejo de pensar em situações, lugares e relações que superam as
dificuldades do mundo real. Em sua origem grega, essa expressão significa “não
lugar”, reafirmando justamente que os nossos mais elevados sonhos e desejos são
esse “não lugar”, uma mera utopia. Contudo, de onde que esse tipo de pensamento
passou a ganhar tal definição?
Para explicar isso a uma turma de alunos, é
importante ressaltar que a utopia está ligada ao advento da modernidade,
principalmente com o desenrolar da experiência renascentista. Com o predomínio
da razão como forma de compreensão do mundo, o ideal de progresso começou a
ganhar linhas visíveis. Havia então, nesse contexto histórico, uma expectativa
sobre o alcance de uma sociedade que conseguisse superar suas próprias
imperfeições.
De fato, se percorrermos um recorte temporal mais
amplo, poderemos ver que as utopias têm uma forte proximidade com a
“República”, obra do consagrado filósofo grego Platão. Assim, a obra “Utopia”,
escrita pelo britânico Thomas Morus, não pode ser exposta para os alunos como
um escrito radicalmente original. Escrita no século XVI, a obra fez a descrição
de uma ilha chamada Utopia através das observações de um viajante chamado
Rafael Hitlodeu.
Para expor as benesses dessa ilha, o autor
ordenou a sua narrativa através de um contraponto organizado em duas partes. Na
primeira, falou sobre a Inglaterra, seu país de origem, onde as injustiças
contra os camponeses e a intolerância religiosa eram os problemas que mais o
incomodavam. Na segunda, apresentou a ilha de Utopia como um contraditório, um
lugar onde a intolerância era punida e as guerras evitadas em favor da maioria
da população.
Em sala de aula, cabe ao professor escolher
passagens dessa obra que possam superar uma visão inicial bastante comum
àqueles que são rapidamente apresentados a essa obra clássica. Afinal, qual
seria o interessante debate histórico ou até mesmo filosófico que se poderia
promover através de uma história que se concentrou na descrição de um lugar
perfeito e que, a cada ponto positivo, distanciava-se da miséria e problemas da
realidade?
Um dos recortes históricos de grande significado
que podem ser expostos em sala de aula tem a ver com o desenvolvimento dos
Estados Nacionais e o estabelecimento das leis. Ao longo de “Utopia”, é
possível ver uma discussão sobre como as leis teriam o poder de garantir a
justiça e moldar o comportamento da coletividade que se submetesse a elas. Em
linhas gerias, Morus questionava em sua história se a força dessa lei era capaz
de moldar o indivíduo.
Na reflexão do próprio autor, temos a defesa de
que a força da lei não teria o poder de moldar a sociedade. Mais importante que
isso, seria uma profunda reflexão sobre um tipo de educação capaz de cultivar
os valores e práticas que contribuíssem diretamente para a formação de uma
sociedade igual à da ilha Utopia. Estaria ele certo? Cabe aí o professor
complementar este trabalho lançando essa discussão junto à classe.
Por Rainer Gonçalves Sousa
Colaborador Brasil Escola
Graduado em História pela Universidade Federal de
Goiás – UFG
Mestre em História pela Universidade Federal de
Goiás - UFG
Para analistas, baixa qualidade do ensino e taxa de reprovação "expulsam" jovem da escola
Caiu o número de jovens na escola a partir dos 15
anos de idade. O dado da Pnad 2011 (Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios), divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), explicita um problema que preocupa há algum tempo pesquisadores
da educação: a escola não consegue reter o adolescente.
"O jovem que vai à escola não encontra o
professor de determinada disciplina ou não tem a aula de maneira adequada. Esse
jovem percebe que essa escola [da maneira como é oferecida] não garante um
lugar no mercado de trabalho. Então considera que o mais lógico é abandonar a
escola", explica a professora Marcia Malavasi, da Faculdade de Educação da
Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). "Dessa maneira, a escola
'expulsa' os jovens do ensino médio", conclui.
Desinteresse
"O jovem diz que não tem interesse, não tem
saco, não gosta da escola", afirma Haroldo Torres, diretor de análise e
disseminação de informações da Fundação Seade. Segundo ele, até existe um
reconhecimento de que estudar "é importante para o futuro", mas isso
não se traduz em esforço para se manter na escola.
A falta de interesse do aluno parece ser
resultado de um conjunto de situações, que vão da baixa qualidade do ensino, falta
de professores e altos índices de reprovação a problemas de infraestrutura
escolar, como a falta de bibliotecas e salas de estudo.
"O jovem tem dificuldades para chegar até a
escola, pois é longe e o transporte é caro. Quando ele chega, não tem professor
e a escola sequer tem uma biblioteca para manter o aluno ali estudando",
critica Marcia.
Retenção
A probabilidade de evasão do jovem aumenta
conforme o número de repetências no histórico escolar. "O nosso sistema é
muito reprovador, sobretudo em algumas regiões. No Nordeste, por exemplo, é
muito comum as pessoas ficarem retidas no ensino fundamental", explica
Torres.
A avaliação de que os altos índices de retenção
desestimulam o aluno ecoa na fala do pesquisador Simon Schwartzman, do Iets
(Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade).
"A educação pública brasileira é em geral
muito mal gerenciada, com níveis absurdos de reprovação e dependência. Basta
"arrumar a casa", garantir que os professores venham e dar aulas de
reforço para os alunos que ficam para trás para que os indicadores comecem a
melhorar", diagnostica.
Estrutura
Apesar do aumento no investimento no ensino
médio, com a criação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da
Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) que atende toda
a educação básica, os números do ensino médio não melhoraram. Uma das hipóteses
é de que o currículo não agrade a esse jovem.
"É importante deixar de obrigar todos a
seguirem os mesmos currículos, abrir espaço para escolhas, e ampliar de maneira
muito significativa a alternativa de formaçao profissional sem mantê-la
atrelada ao ensino médio regular", argumenta Schwartzman.
Fonte: UOL
Assinar:
Postagens (Atom)





