quinta-feira, 5 de maio de 2011

IBGE mostra que maioria dos miseráveis no Brasil é jovem, nordestina e negra

A maioria dos brasileiros que vivem em situação de extrema pobreza é negra ou parda, jovem e vive na Região Nordeste. É o que mostra um levantamento feito pelo governo federal, com base em dados preliminares do Censo Demográfico de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Com base nesses dados, o governo estipulou que famílias com renda igual ou inferior a R$ 70 por pessoa são consideradas extremamente pobres. O parâmetro será usado na elaboração do plano Brasil sem Miséria, a ser lançado em breve pelo governo federal.
Nessa situação de miséria encontram-se 16,2 milhões brasileiros, o equivalente a 8,5 % da população do país. Desse total, 70,8% são pardos ou pretos e 50,9% têm, no máximo, 19 anos de idade.
O mapa revela que 46,7% dos extremamente pobres vivem no campo, que responde por apenas 15,6% da população brasileira. De cada quatro moradores da zona rural, um encontra-se na miséria. As cidades, onde moram 84,4% da população total, concentram 53,3% dos miseráveis.
Nordeste
Na Região Nordeste estão quase 60% dos extremamente pobres (9,61 milhões de pessoas). Em seguida, vem o Sudeste, com 2,7 milhões. O Norte tem 2,65 milhões de miseráveis, enquanto o Sul registra 715 mil. O Centro-Oeste contabiliza 557 mil pessoas em situação de extrema pobreza.
Quanto ao sexo, a miséria atinge mulheres e homens da mesma forma: 50,5% contra 49,5% respectivamente. No entanto, na área urbana, a presença de mulheres que vivem em condições extremas de pobreza é maior, enquanto os homens são maioria no campo.
A análise dos dados revela também que, além da renda baixa, a parcela da população em extrema pobreza não tem acesso à serviços públicos, como água encanada, coleta de esgoto e energia elétrica. Estima-se, por exemplo, que mais de 300 mil casas não estão ligadas à rede de energia elétrica.
“Quanto menor é a renda das pessoas, maior é a proporção de pessoas que não têm acesso ao abastecimento de água potável. Quanto menor a renda, maior a proporção da população que não tem banheiro exclusivo no domicilio. Na área rural a situação é mais recorrente”, afirmou o presidente do IBGE, Eduardo Nunes.
Meta ousada
A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, afirmou que o plano Brasil sem Miséria, que visa a acabar com a pobreza extrema no Brasil até 2014, será uma combinação de políticas de transferência de renda e de capacitação profissional com ampliação dos serviços ofertados pelo Estado.
“Não se trata de novos programas, mas um olhar para esse público. Não vamos fazer um chamamento, mas garantir que o Estado chegue a essa população”, disse a ministra, acrescentando que vários programas atuais serão mantidos, como o Bolsa Família.
O plano deve ser lançado em breve pela presidenta, Dilma Rousseff. Segundo a ministra, é possível erradicar a pobreza extrema nos próximos quatro anos. “É um esforço dos governos federal, estaduais e municipais. É uma força-tarefa”, disse. Tereza Campello explicou ainda que a renda familiar estipulada para definir a faixa de extrema pobreza será ajustada no decorrer dos anos.
Hoje, dos 16,2 milhões de extremamente pobres, 4,8 milhões de brasileiros não têm rendimento. O restante (11,4 milhões) tem renda que varia de R$ 1 a R$ 70.
Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O casamento do príncipe e a celebração da desigualdade

Nunca o casamento de um príncipe foi acompanhado por tantos plebeus embevecidos quanto o do príncipe inglês William na última sexta-feira. Arrebatados pela ostentação das cerimônias, a riqueza das roupas e a simpatia do jovem casal, muitos desses plebeus em Londres e pelo mundo afora não se deram conta de que a sobrevivência de monarquias e de seus rituais representa uma das limitações significativas das transformações democráticas na Europa. O aclamado casamento do príncipe William demonstra que, no Velho Continente orgulhoso de ter abolido os privilégios de nascimento e instituído a igualdade de todos perante a lei, ainda há famílias que são mais iguais do que as outras e ainda existem chefes de Estado que herdam tronos seculares pelo simples acaso de nascerem em berços privilegiados.
A demolição da estrutura medieval de estamentos, com suas desigualdades reconhecidas nas leis e nos costumes, iniciou a construção de regimes democráticos modernos e a expansão do capitalismo na Europa. Foi particularmente importante a revogação da sujeição da gleba, que vinculava os camponeses aos feudos e a seus senhores num regime servil e opressor. As grandes revoluções democráticas burguesas, como a francesa, foram feitas sob as bandeiras das lutas pela abolição dos privilégios de sangue e pela liberdade e igualdade.
É claro que essa igualdade era e continua sendo essencialmente jurídica, preservando a desigualdade econômica, que se renovou e aprofundou. A própria igualdade jurídica consagrada nas novas constituições sofreu durante muito tempo restrições, como a do direito de voto, que excluía as mulheres e discriminava os homens que não alcançassem determinados níveis de renda ou de instrução. Foi necessária uma luta prolongada dos trabalhadores e das mulheres para que o direito de voto se universalizasse e as liberdades de organização partidária e sindical se estendessem.
Em alguns países europeus, onde a luta democrática impelida pela participação dos camponeses e dos trabalhadores urbanos avançou mais, outra desigualdade jurídica importante, a das monarquias com seus chefes de Estados hereditários e vitalícios, saídos de famílias nobres, foi eliminada pela proclamação de regimes republicanos, com chefes de Estado e de governo temporários e eleitos.
Houve países europeus, no entanto, em que as burguesias locais preferiram chegar a um pacto com a nobreza territorial, preservando as monarquias e freando a democratização e a ameaça dos trabalhadores. Com o passar dos anos e a consolidação do predomínio burguês, os privilégios da nobreza foram sendo restringidos e os reis e rainhas obrigados a reinar cada vez menos. Ainda assim, nesses países em que as monarquias foram mantidas e o Poder Legislativo chegou a ser dividido entre uma Câmara dos Comuns eleita e uma Câmara dos Lordes nomeada, como no Reino Unido da Grã-Bretanha, os soberanos reais continuaram desempenhando uma função política e cultural muito importante para a estabilização das novas desigualdades burguesas e imperiais. O casamento festivo e aclamado do príncipe William é uma demonstração da importância dessa influência ideológica conservadora e antidemocrática das casas reais.
Os monarcas europeus, para sobreviver ao avanço do capitalismo e das lutas democráticas dos trabalhadores (até mesmo para resistir aos escândalos que abalaram de tempos em tempos suas famílias, lembrando que elas não são excepcionais nem detêm qualidades natas para exercer as funções estatais que monopolizam) tiveram que fazer concessões a seus súditos plebeus, admitindo, por exemplo, o casamento de príncipes herdeiros com noivas milionárias, mas plebeias. Essas noivas, é verdade, logo foram agraciadas com títulos de nobreza e integradas, com maior ou menor êxito, nas tradições seculares de suas novas famílias.
Outro expediente dos soberanos europeus que se tornou comum foi a outorga de títulos de nobreza a intelectuais de renome, a desportistas famosos ou a cantores de grande popularidade. Na Grã-Bretanha, após o desgaste sofrido pela coroa por causa dos maus tratos infligidos à princesa Diana, a rainha-mãe decidiu festejar o aniversário de sua coroação com uma concorrida apresentação nos jardins reais de alguns dos artistas mais consagrados da música pop internacional.
Não se pode desconhecer que esses esforços, com a repercussão multiplicada pela cobertura favorável da mídia capitalista mundial, surtiram efeitos, como evidencia o sucesso da festa britânica da última sexta-feira. Num momento em que as grandes potências capitalistas invocam com insistência a defesa da democracia para justificar suas intervenções interesseiras e armadas nos assuntos internos de nações mais débeis, milhões de pessoas foram induzidas a aclamar um casamento que simboliza, contraditoriamente, a continuidade de uma desigualdade antidemocrática e pré-moderna.
As famílias trabalhadoras, que penam diariamente para garantir sua subsistência, precisam, em face de comemorações manipuladas como esta do casamento do príncipe William, abrir os olhos e as mentes para não desempenharem o papel de vítimas tolas que batem palmas para sua própria opressão e pobreza.

Fonte: Duarte Pereira, 72 anos, é jornalista e escritor.

Estratégias e técnicas para a manipulação da opinião pública e da sociedade

1- A estratégia da diversão
Elemento primordial do controle social, a estratégia da diversão consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, graças a um dilúvio contínuo de distrações e informações insignificantes.
A estratégia da diversão é igualmente indispensável para impedir o público de se interessar pelos conhecimentos essenciais nos domínios da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética.
"Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por assuntos sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar, voltado para a manjedoura com os outros animais" (extraído de "Armas silenciosas para guerras tranquilas").
2- Criar problemas, depois oferecer soluções
Este método também é denominado "problema-reação-solução". Primeiro cria-se um problema, uma "situação" destinada a suscitar uma certa reação do público, a fim de que seja ele próprio a exigir as medidas que se deseja fazê-lo aceitar. Exemplo: deixar desenvolver-se a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público passe a reivindicar leis de segurança em detrimento da liberdade. Ou ainda: criar uma crise econômica para fazer como um mal necessário o recuo dos direitos sociais e desmantelamento dos serviços públicos.
3- A estratégia do alongamento
Para fazer aceitar uma medida inaceitável, basta aplicá-la progressivamente, de forma gradual, ao longo de 10 anos. Foi deste modo que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante os anos 1980 e 1990. Desemprego maciço, precariedade, flexibilidade, deslocalizações, salários que já não asseguram um rendimento decente, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se houvessem sido aplicadas brutalmente.
4- A estratégia do diferimento
Outro modo de fazer aceitar uma decisão impopular é apresentá-la como "dolorosa mas necessária", obtendo o acordo do público no presente para uma aplicação no futuro. É sempre mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro porque a dor não será sofrida de repente. A seguir, porque o público tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhor amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Finalmente, porque isto dá tempo ao público para se habituar à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegar o momento.
Exemplo recente: a passagem ao Euro e a perda da soberania monetária e econômica foram aceitas pelos países europeus em 1994-95 para uma aplicação em 2001. Outro exemplo: os acordos multilaterais do FTAA (Free Trade Agreement of the Americas) que os EUA impuseram em 2001 aos países do continente americano ainda reticentes, concedendo uma aplicação diferida para 2005.
5- Dirigir-se ao público como se fossem crianças pequenas
A maior parte da publicidade destinada ao grande público utiliza um discurso, argumentos, personagens e um tom particularmente infantilizadores, como se o espectador fosse uma criança pequena ou um débil mental. Exemplo típico: a campanha da TV francesa pela passagem ao Euro ("os dias euro"). Quanto mais se procura enganar o espectador, mais se adota um tom infantilizante. Por quê?
"Se se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos de idade, então, devido à sugestibilidade, ela terá, com uma certa probabilidade, uma resposta ou uma reação tão destituída de sentido crítico como aquela de uma pessoa de 12 anos". (cf. "Armas silenciosas para guerra tranquilas" )
6- Apelar antes ao emocional do que à reflexão
Apelar ao emocional é uma técnica clássica para curtocircuitar a análise racional e, portanto, o sentido crítico dos indivíduos. Além disso, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para ali implantar ideias, desejos, medos, impulsos ou comportamentos...
7- Manter o público na ignorância e no disparate
Atuar de modo a que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controle e a sua escravidão.
"A qualidade da educação dada às classes inferiores deve ser da espécie mais pobre, de tal modo que o fosso da ignorância que isola as classes inferiores das classes superiores seja e permaneça incompreensível pelas classes inferiores". (cf. "Armas silenciosas para guerra tranquilas" )
8- Encorajar o público a comprazer-se na mediocridade
Encorajar o público a considerar "natural" o fato de ser idiota, vulgar e inculto...
9- Substituir a revolta pela culpabilidade
Fazer crer ao indivíduo que ele é o único responsável pela sua infelicidade, devido à insuficiência da sua inteligência, das suas capacidades ou dos seus esforços. Assim, ao invés de se revoltar contra o sistema econômico, o indivíduo se auto-desvaloriza e auto-culpabiliza, o que engendra um estado depressivo que tem como um dos efeitos a inibição da ação. E sem ação, não há alteração!...
10- Conhecer os indivíduos melhor do que eles se conhecem a si próprios
No decurso dos últimos 50 anos, os progressos fulgurantes da ciência cavaram um fosso crescente entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dirigentes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" chegou a um conhecimento avançado do ser humano, tanto física como psicologicamente. O sistema chegou a conhecer melhor o indivíduo médio do que este se conhece a si próprio. Isto significa que na maioria dos casos o sistema detém um maior controle e um maior poder sobre os indivíduos do que os próprios indivíduos.
Fonte: http://perso.wanadoo.fr/metasystems/Manipulations.html
Extraido de: http://resistir.info/varios/manipulacao.html

Hoje 04 de Maio na História

No dia 04 de maio de 1932 Um decreto assinado no Rio de Janeiro estabeleceu a jornada de oito horas de trabalho na indústria.
Os operários são aqueles que trabalham nas indústrias. Tem muita gente que acha que país desenvolvido é aquele que tem muitas indústrias. Mas o problema é que a maioria desses operários trabalha muito, ganha pouco e não consegue um futuro tranquilo para a sua família. Antigamente, os donos das indústrias exigiam desses profissionais um trabalho pesado, numa média de doze horas por dia!Foi na data de hoje, no ano de 1932, que isso começou a ser considerado ilegal e, a partir de então, foi decretado que o operário, ou industriário, pode trabalhar no máximo oito horas diárias. Essa foi uma medida tomada para tentar melhorar a saúde e o trabalho do operário. Afinal, um país desenvolvido é aquele que tem um povo feliz, com saúde e educação

domingo, 1 de maio de 2011

Hoje é o Dia Mundial do Trabalho

O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época. Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade.
Fonte: www.terra.com.br/almanaque/diadotrabalho