domingo, 6 de junho de 2010

"Fui educado por padres pedófilos"

José Wilker fala ao iG sobre política e religião Em geral avesso a meias palavras, o ator José Wilker parou, pensou e se recusou a responder uma simples pergunta – “Qual é o nome do colégio onde você estudou?” – feita pela reportagem do iG. Com a insistência do jornalista, ele se explicou: “Prefiro não responder, para não comprometer os amigos”. Para o ator, toda essa cautela se justifica: “Posso falar que fui educado por padres pedófilos. Era tudo meio escondido, mas eu via”.
Sem especificar o nome da escola, José Wilker lembra que “não entendia muito o que era aquilo”. Cearense, nascido em Juazeiro do Norte, terra do Padre Cícero, ele também morou no Recife quando criança. Assim, os amigos de uma e de outra cidade permanecem protegidos porque o ator não revela em que paróquia viviam aqueles padres pedófilos. Estas revelações ele faz à reportagem do iG, sentado próximo à piscina de um hotel, na capital pernambucana, onde participa do festival de cinema de Olinda.
Além da descrença com a religião, Wilker perdeu também a fé em “verdades” ditas por políticos. E, por isso mesmo, não aceita convites para ir a jantares de artistas com candidatos, tão comuns em ano eleitoral. “Fui uma vez e não irei nunca mais. É oportunismo. Aliás, por favor, quero declarar que não acredito em nenhum dos partidos políticos que existem atualmente”, diz.
A seguir, a entrevista exclusiva com o ator, que interpreta Zeca Diabo, o vilão do filme O Bem Amado, com estréia prevista para julho nos cinemas.
Há uma frase do personagem Odorico Paraguaçu, em O Bem Amado, que diz: “Ninguém vence eleição só dizendo verdades”. Concorda?
Concordo. Ninguém fala verdade em eleição. O Brasil é o país da retórica e da meia-verdade. Tem outra frase ótima no filme que é a do Odorico xingando os gregos por terem inventado a democracia.
Já é tradição, em ano de eleição, a classe artística se reunir com candidatos à Presidência. Você já foi a algum desses encontros?
Fui uma vez e não irei nunca mais. É oportunismo. Fui na primeira candidatura do Lula, em 1989, na casa de algum músico no Rio. Ouvi barbaridades sobre o que os políticos pensam em relação à cultura. Eles não conseguem passar da informação para a sabedoria. Aliás, por favor, quero declarar que não acredito em nenhum dos partidos políticos que existem atualmente.
Por quê?
São todos aglomerações e não projetos políticos. O Brasil teve um partido, o Partido Comunista, que surgiu de movimentos de massas. Se era bom ou ruim, não me interessa. O resto é clube criado por decreto. Na origem dos de agora, estão três: PTB, UDN e PSB. Só mudaram de nome. Proprietários rurais e donos de igreja se juntam a eles. Religião virou um grande negócio, vende-se pedaço do céu nas igrejas.
Você vota?
Eu declaro que não quero votar. Se eu puder estar fora do Brasil na eleição, estarei. E depois eu justifico, porque é obrigatório. Não me identifico com nenhum projeto político que está aí. É tudo refrão de samba enredo. É tudo “ilariê, ilariê”.
Voltando ao assunto religião, tem acompanhado as notícias sobre padres pedófilos?
Acompanho esses casos desde os 2 anos de idade. Não é, para mim, um problema novo. É que agora virou moda na mídia. Estudei em colégios de padres até os 17 anos. Não convivi com isso sobre mim, mas tendo situações ao redor. Tive colegas que sofreram abuso. Esta política de celibato na igreja é uma das causadoras do problema. Mas veja, a pedofilia não é privilégio da igreja católica. Existe pedófilo em todas as áreas.
Qual é o nome do colégio em que você estudou?
Eu prefiro não responder para não comprometer os amigos.
Você presenciou casos de pedofilia na escola?
Presenciei, claro. Posso falar que fui educado por padres pedófilos. Era tudo meio escondido, mas eu via. Não entendia muito o que era aquilo.
Quando teve conhecimento do que acontecia ao seu redor?
Comecei a entender só no segundo ciclo de estudos, a partir do fato de algumas histórias de pessoas que vieram a meu conhecimento. Como a história de um padre que, ao ser descoberto na condição de pedófilo, foi confinado no interior da Bahia. Além de casos de garotos que, depois, se confessavam homossexuais, numa época em que isso era tratado como doença. Todos os casos eram acobertados. As famílias tinham vergonha de falar o que acontecia com seus filhos, isso não chegava ao domínio público. Sempre se deu um tratamento secreto a este assunto.
Como isso influenciou sua concepção atual sobre a religião?
Eu sou ateu. Minha experiência com a religião católica, durante meus anos de formação, me despertou a mais absoluta descrença em valores que eles transmitem, ao tentar vender ideias que, no exercício diário, eram opostas ao que pregavam. As respostas que eu obtinha não eram satisfatórias às minhas perguntas.
Em O Bem Amado, o prefeito inaugura um cemitério sem serventia. Na vida real, há casos de desperdício de dinheiro público também, como acontece no Rio, onde a caríssima Cidade da Música foi inaugurada, mas ainda está inacabada. Que tipo de avaliação permite ser feita em comparações como esta?
No caso da Cidade da Música, além de ser uma obra inacabada, aquilo lá é um ebó. Foi colocada onde, tradicionalmente, é uma encruzilhada, para se fazer despachos. Então, é o maior ebó do mundo. E pior: é um ebó caro! Uma macumba em concreto armado. Só espero que, na qualidade de despacho, funcione. Porque, como espaço para a música, não tem a menor função.
Fonte: Valmir Moratelli, enviado especial a Olinda (PE)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Você sabe quanto paga em impostos?

Uma pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostra que os brasileiros não sabem quanto pagam de impostos quando compram um produto. A maioria dos entrevistados admitiu que não tinha conhecimento da porcentagem de tributos incluídos no valor final de suas compras.
O produto que as pessoas mais disseram saber o valor do imposto incidente foi o açúcar. Mesmo assim, a taxa de entrevistados que se disse ciente do valor foi de apenas 30%. Sobre o arroz, 26% afirmaram conhecer o valor do tributo; carne bovina, 25% dos entrevistados; leite longa vida, 27%; e conta de luz, 28%. A pesquisa foi realizada com mil pessoas no final do mês de março e divulgada em abril.
Para tentar aumentar a transparência na cobrança dos impostos, alguns estados do país estão buscando criar leis que obriguem as empresas a divulgar o percentual de impostos incluído no preço dos produtos.
O estado do Paraná poderá ser um dos primeiros a aprovar uma lei que assegure ao consumidor o direito de saber a carga tributária existente sobre as mercadorias e os serviços utilizados. Na última terça-feira (20), o Projeto de Lei nº 055/09 foi aprovado em primeira votação.
De acordo com a proposta, as empresas terão de divulgar o valor dos tributos de forma destacada e acessível, permitindo que o consumidor possa diferenciar os valores do produto e dos impostos embutidos no preço final.
Para entrar em vigor, o projeto de lei depende ainda da aprovação dos deputados em pelo menos mais uma votação, e da sanção do governador Orlando Pessuti (PMDB). O projeto de lei já obteve parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça, e da Comissão de Defesa do Consumidor.
No estado de Goiás, um projeto similar também tramita na assembleia do estado.

FONTE: Agência Brasil

terça-feira, 1 de junho de 2010

O lado da Zero Hora da Educação

Na reportagem sobre educação das páginas 4 e 5 da Zero Hora do último domingo, 30 de maio, chegamos ao ápice do pseudo-jornalismo. O pretenso texto imparcial e democrático, pois traria opiniões diversas, na realidade é um dossiê de avaliações internacionais e de opiniões de economistas supostamente especialistas em educação. Ao debater a questão da meritocracia e da premiação dos “bons” professores o economista brasileiro chega a afirmar que: “É a lógica do mercado de produtividade. Manter o professor ruim é o mesmo que uma fábrica de automóvel não demitir um funcionário que deixa passar carros com defeito.”, notem a comparação feita pelo dito especialista. Nesse caso o aluno é um produto e o professor um fiscalizador. Será que é, realmente, a lógica do mercado que nos orienta nesse mundo insano, injusto, desigual, preconceituoso que deve ser, também, a lógica para a educação? A educação só não avança, entre outras razões, pelo fato de nossa sociedade viver essa lógica de mercado que trás consigo o individualismo, o consumo e a competitividade.
A tendenciosa reportagem compara o modelo americano, o finlandês e o paulista de Serra e do secretário Paulo Renato que foi oito anos ministro da educação do Brasil no governo FHC (lembra algo que ele tenha feito?). É sério isso? Os dois primeiros incomparáveis com o Brasil por inúmeras razões e o último é o desastre educacional do país, os professores paulistas começaram o ano em greve e estão sofrendo cortes salariais e um desmanche de suas carreiras. A comparação, na verdade, não compara nada. Os três, cada um do seu modo, pregam a meritocracia para uma área como a educação que é um espaço de construções coletivas, que depende de investimentos do Estado em suas várias dimensões, formação, estrutura das escolas e salarial. Além de dar legitimidade a pesquisas externas ao nosso país, querer importar padrões de gestão e pedagógicos de professores de universidades estrangeiras, a Zero Hora não teve a sapiência de procurar aqui mesmo no Rio Grande do Sul alguma opinião.
A UFRGS tem, no seu programa de pós-graduação em educação, mais de oitenta professores, e sabiam que esse programa tem a nota máxima nacional da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e que, portanto, está entre os que mais produzem no mundo. Entretanto, ninguém foi ouvido, deve ser pelo fato de que a opinião advinda do programa iria de encontro ao que o jornal do mercado queria defender.
Na educação não existem professores bons ou ruins, assim como alunos, esse maniqueísmo serve para o mercado onde tudo tem que ter um fim lógico e único: o lucro. A educação envolve um universo de oportunidades, condições matérias concretas de trabalhos e de vida, uma formação inicial e continuada, que não depende só do professor, mas sim do Estado. Como posso trabalhando 40 ou 60 horas semanais, com um salário de no máximo mil e quinhentos reais e com 40 alunos por turma, estudar metodologia a fundo, comprar livros, planejar formas alternativas de avaliação e freqüentar espaços culturais de qualificação profissional? E então, vem a Zero Hora por trás da fajuta reportagem, propor uma premiação para os “professores com melhores resultados” e aqueles que vivem todas circunstâncias acima citadas, será que estarão entre os premiados? Ou seja, aqueles que enfrentam dificuldades devem ser esquecidos e se afundar nelas!
Existem várias experiências exitosas em escolas e salas de aula pelo Brasil, mas, sem dúvida, o professor não é o único responsável por isso, assim como não é pelos fracassos. Há uma estrutura composta pelos gestores, pelo investimento público, pela comunidade de cada cidade e escola, pela cultura de cada região, por seu cenário político e econômico que condiciona a qualidade da educação. Não podemos aceitar que opiniões internacionais de economistas, e de oportunistas nacionais, dêem o rumo para o que queremos como educação para o nosso país, os resultados bons ou ruins deles podem não ser os nossos, a maneira de entender o mundo deles e da Zero Hora, pautado na lógica do mercado, não é nossa maneira de ver as coisas. Esse jornal tem lado muito claro e como eu queria que as pessoas entendessem isso, é uma angústia que me corrói. O lado é o da meritocracia, do agronegócio (Ana Amélia Lemos e Afonso Motta), das privatizações, da criminalização dos movimentos sociais, do desrespeito ao meio ambiente (defesa dos eucaliptos), entre outros.
Gregório Grisa: Pedagogo, especialista em Psicopedagogia Social e mestre em Educação.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

PDT e PCdoB realizam seminário sobre desenvolvimento sustentável

O PDT e o PCdoB realizarão o seminário e grupos de estudo: “Perspectivas para o Desenvolvimento Sustentável do Seridó”, neste sábado (29).
Na oportunidade foram convidados os diversos segmentos da sociedade civil organizada, comunidade acadêmica e população em geral para participar das discussões.
O evento será sediado no Centro Pastoral Dom Wagner, em Caicó, a partir das 14h.
Os debatedores do seminário serão o professor Douglas Araújo, Mestre em Desenvolvimento Regional e Doutor em História, e Francisco Galvão Freire, Diretor-Presidente da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Seridó (ADESE).
São esperados neste dia o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, e o deputado estadual Álvaro Dias, respectivamente, pré-candidatos a governador e vice na chapa do PDT.
Pelo PCdoB é aguardada a presença do ex-prefeito de Caicó, Roberto Germano, que é pré-candidato a deputado estadual, e do jornalista Sávio Hackradt, que disputará uma das vagas do estado para o Senado.

terça-feira, 25 de maio de 2010

OBAMA RECUSA O CONVITE DE LULA PARA VISITAR O BRASIL, E JORNALISTA OUVE FONTE SECRETA QUE CULPA…ADIVINHEM!!!

O presidente do EUA, Barack Obama, rejeitou um convite do “Cara” para visitar o Brasil antes das eleições de 3 de outubro. Sinal de que o bom senso falou mais alto. Afinal, Obama, a esta altura, já tem alguma experiência nesse negócio de eleições… e de Brasil. E conta com uma secretária de Estado, Hillary Clinton, ainda mais experiente do que ele.
Não fosse o calendário, há também uma questão de agenda. Por que Obama visitaria o Brasil agora? Para incensar Lula pelo comportamento estúpido da política externa brasileira em relação a temas que podem ir, literalmente, de A a Z, de Ahmadinejad a Zelaya, passando pelo B, de Bolívia; C, de Colômbia; D, de desarmamento nuclear; E, de Equador… e por aí afora? É claro que a Casa Branca sentiu o cheiro da exploração eleitoreira no ar, mas há também um contencioso que não faz senão aumentar.
A recusa de Obama em visitar o Brasil neste momento é, na verdade, uma sinal de desagrado com a política externa brasileira, que preferiu, já não há mais dúvidas a esta altura, alinhar-se com os inimigos dos EUA. Não que isso possa nos trazer alguma vantagem. Não traz nenhuma! Mas o antiamericanismo continua a embalar o sonho dos nossos esquerdistas de gabinete.
Como Lula não pode arcar com essa recusa, tem de atribuir a responsabilidade a alguém. E quem fica bem no papel de culpado? Ora, FHC!!! Se essa versão precisa circular, ninguém mais adequado para a tarefa do que Kennedy Alencar, que ouviu uma daquelas suas fontes com acesso ao círculo íntimo do poder, vocês sabem. Segue trecho de seu texto, em vermelho:
Segundo um ministro, o governo brasileiro acredita que o bom relacionamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com o ex-presidente dos EUA Bill Clinton e com a atual secretária de Estado, Hillary Clinton, frearam uma aproximação maior de Lula com Obama.
Na versão desse ministro, houve gestões do PSDB com os Clinton para evitar o encontro antes das eleições e, por extensão, um benefício eleitoral a Dilma.
A recusa provocou decepção no governo brasileiro, que via na oportunidade uma forma de demonstrar o prestígio de Lula no mundo e na América Latina.
Estou tão confuso! Quem seria esse ministro? Celso Amorim? Não! Não é. Seria admitir que FHC é mais influente na política externa brasileira do que ele próprio. Não combina com o megalonaniquismo. Acho que é coisa mesmo do megalogigantismo. Deve ter sido Franklin Martins. Falta agora Lula fazer a segunda parte: acusar o antecessor de se alinhar com os americanos para prejudicar o Brasil.
O ridículo é de tal ordem que o texto de Kennedy aponta um segundo motivo, além da influência de FHC junto aos Clintons:
Também foi entendida como um recado do presidente americano de que, se o Brasil vai se contrapor aos EUA em assuntos como o Irã, o país deverá arcar com alguma retaliação política da maior potência do planeta.
A qualquer pessoa dotada de um mínimo de lógica e de bom senso vai ocorrer que o segundo motivo seria forte o bastante para dispensar o primeiro. Ainda que aquela outra situação fosse verdadeira, ela não seria nada além de uma circunstância associada a uma causa. Afinal, as coisas têm ordem de grandeza. Imaginem se o presidente do EUA deixaria de visitar um país a pedido de um antecessor, que teria sido mobilizado por um ex-presidente do país em questão… O jornal do futuro deve fazer, de vez em quanto, algumas indagações no futuro do pretérito para testar algumas hipóteses e, assim, mergulhar um pouco no terreno da lógica. Ou a lógica é menos confiável do que a OPINIÃO de uma fonte secreta?
- Qual é a evidência que tem a fonte de Kennedy, que fala em off, de que FHC interferiu para impedir a visita de Obama? A “reportagem” não diz. Qual a diferença entre um off nessas condições, uma invenção e uma mentira? Se alguém souber a resposta, publicarei com gosto.
- Qual é o sentido de pôr para circular uma opinião de alguém sem nome, sem se ocupar, por exemplo, de ouvir FHC? “Ah, o texto está só dando a versão do ministro”. É? Então basta alguém em off dar uma versão para que ela ganhe lugar na reportagem?
A historinha de Lula como secretário-geral da ONU era mais bacana…
Tenham paciência! Não há nada com mais cara de passado do que o “Jornalismo Franklinstein“.
PS: É claro que conto com a possibilidade de ser tudo verdade. Mesmo afastado do poder há oito anos, FHC continuaria, então, mais influente junto ao governo americano do que Lula. Faz sentido. Lula é muito influente em Teerã, Caracas, Quito, Manágua…