quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
LEI Nº 11.684, DE 2 DE JUNHO DE 2008
50 ANOS DEPOIS...
"A tirania foi derrubada. A alegria era imensa. Contudo, ainda faltava muita coisa a fazer. Não nos enganemos pensando que agora tudo será mais fácil; talvez, a partir de agora, tudo seja mais difícil".
Essas foram as palavras ditas por Fidel Castro ao povo no dia em que entrou em Havana, em 8 de janeiro de 1959. Muitos não imaginaram o imenso desafio que teriam perante si.
Poucos dias depois, Fidel proclamou o direito à autodeterminação nas relações com os Estados Unidos e isso foi suficiente para iniciarem imediatamente as agressões, os planos de atentados contra ele e para a irritação dos políticos norte-americanos, sendo prova disso os discursos e artigos da época, como por exemplo, o editorial da revista Time, porta-voz dos setores mais conservadores, intitulado "O neutralismo de Fidel Castro é um desafio para os EUA". Nem neutros podiam ser os cubanos diante dos Estados Unidos.
O triunfo da Revolução, em janeiro de 1959, significou para Cuba a possibilidade real, pela primeira vez na sua história, de exercer o direito à livre determinação. Desde esse momento, nem o presidente, nem o Congresso, nem os embaixadores dos EUA puderam decidir o que se podia ou não fazer em Cuba. Acabou a amarga dependência, pela qual, os governantes norte-americanos e seus embaixadores dispunham de um poder muitas vezes maior para decidir em Cuba, que o poder real que tinham para tomar decisões dentro do governo federal dos EUA, em relação a quaisquer dos 50 estados que formam a União.
Foi precisamente em exercício deste direito que, depois de conquistada a independência nacional, começou logo a aplicação do programa anunciado por Fidel no julgamento do Moncada, em 1953, e inserido na sua histórica alegação A História me Absolverá.
Cuba estabeleceu o sistema econômico e social que considerou mais justo e a um Estado socialista com democracia participativa, igualdade e justiça social.
Nessa época, a economia do país caracterizava-se por um escasso desenvolvimento industrial, dependendo fundamentalmente da produção açucareira e de uma economia agrícola concentrada nos latifúndios, onde os latifundiários controlavam 75% do total das áreas agrícolas.
A maior parte da atividade econômica do país e seus recursos minerais eram controlados por capitais norte-americanos, que dispunham de 1,2 milhão de hectares de terra (uma quarta parte do território produtivo), além de controlar a parte fundamental da indústria açucareira, a produção de níquel, as refinarias de petróleo, os serviços de eletricidade e de telefone, a maior parte do crédito bancário, e outros.
O mercado estadunidense abrangia, aproximadamente, 70% das exportações e importações cubanas, sendo os volumes do intercâmbio comercial muito dependentes: Em 1958, Cuba exportava produtos avaliados em 733 milhões de pesos e importava a 777 milhões.
A situação social existente caracterizava-se pelo elevado desemprego e analfabetismo, o sistema de saúde, a assistência social e o estado das moradias da maior parte da população eram precários, e existiam abismais diferenças nas condições de vida entre a cidade e o campo. Existia uma elevada polarização e distribuição desigual das receitas: em 1958, 50% da população dispunha apenas de 11% das receitas e 5% concentrava 26% das rendas. Além disso, a discriminação racial e da mulher, a mendicidade, a prostituição e a corrupção social e administrativa se tinham propalado.
A inadiável solução dos problemas sociais e econômicos mais urgentes da sociedade cubana apenas podiam encarar-se com a livre disposição das riquezas e recursos naturais, e assim, sob o amparo da Constituição, aprovada em 1940 e conforme as normas do Direito Internacional, Cuba exerceu o direito de dispor desses recursos e assumiu as obrigações derivadas disso, indenizando todos os recursos nacionais de terceiros países (Canadá, Espanha, Inglaterra, etc) exctuando os nacionais dos Estados Unidos, cujo governo rejeitou as disposições cubanas e converteu esta decisão do Estado cubano num pretexto para desencadear uma guerra sem precedentes na história das relações bilaterais entre duas nações.os recursos nacionais de terceiros pas recursos e assumiu as obrigada Constituiamental, daproducipativa, igualdade e justiir o
A Revolução não só entregou a propriedade da terra aos camponeses, que até esse momento eram submetidos a condições semi-feudais de produção e obrigados a viverem na extrema pobreza, mas também, os recursos que o país tinha, foram destinados ao desenvolvimento econômico da nação e à melhora das condições materiais e de vida da população. Para termos uma idéia, na década de 80, foram destinados aproximadamente 60 bilhões de pesos à construção de unidades produtivas e de obras sociais.
O processo de industrialização implementado permitiu o início da diversificação econômica e produtiva. Até o início da crise econômica, resultante do colapso da União Soviética e do bloco socialista europeu, entre 1989 e 1991, chamada de período especial em Cuba, aumentou em 14 vezes a capacidade de produção de aços; em seis vezes, a produção de cimento; em quatro vezes, a produção de níquel; em dez vezes, a de fertilizantes; em quatro vezes, a de refinação de petróleo (sem contar a nova refinaria de Cienfuegos); em sete vezes, a produção de têxteis; em três vezes, o turismo, para apenas mencionar alguns setores. Também foram criados novos setores e novas indústrias, como a indústria da construção de maquinarias, a mecânica, a eletrônica, a produção de equipamentos médicos, a indústria farmacêutica, a indústria de materiais da construção, a indústria do vidro, da cerâmica, e outras. A isso se somam os investimentos com que aumentaram e modernizaram as indústrias açucareira, alimentícia e dos têxteis. A esse esforço une-se o desenvolvimento da biotecnologia e da engenharia genética, e outros ramos científicos.
O país também melhorou a infra-estrutura. A geração de eletricidade aumentou em mais de oito vezes, a capacidade de água armazenada aumentou em 310 vezes, de 19 milhões de metros cúbicos em 1958, atualmente é de acima dos 9 bilhões. Também houve diversificação de estradas e rodovias, modernização dos portos e outros. As necessidades sociais foram satisfazendo-se, exceto a habitação, que é o grande problema cubano.
O progressivo crescimento e diversificação do potencial produtivo e a aplicação de um programa social permitiram enfrentar o desemprego. Em 1958, de 6 milhões de habitantes, por volta de um terço da população economicamente ativa estava desempregada, dela, 45% nas zonas rurais, enquanto de 200 mil mulheres empregadas, 70% trabalhava de doméstica. Atualmente, com 11 milhões de habitantes, o número de pessoas empregadas é de mais de 4,5 milhões. Mais de 40% dos trabalhadores são mulheres, representando mais de 60% da força técnica e profissional do país.
Em 1958, a cifra de analfabetos e semi-analfabetos atingia 2 milhões. A média de escolaridade entre as pessoas maiores de 15 anos não ultrapassava a terceira série, mais de 600 mil crianças não freqüentavam a escola e 58% dos professores não tinham emprego. Apenas 45,9% das crianças em idade escolar tinha matriculado e metade delas não freqüentava a escola, conseguindo terminar o ensino primário 6% das crianças matriculadas. As universidades mal tinham capacidade para 20 mil estudantes.
O setor da educação recebeu imediatamente a atenção do Estado revolucionário. O primeiro programa foi a campanha de alfabetização com a participação da população. Construiu-se uma ampla rede de escolas em todo o país e mais de 300 mil professores trabalham no setor. A média de nível escolar entre os maiores de 15 anos é de nona série. Os 100% das crianças em idade escolar matriculam nas escolas e os 98% terminam o ensino primário e 91%, o secundário. Um em cada 11 habitantes é universitário e um em cada oito têm algum nível de preparação técnico-profissional. Há 650 mil estudantes nas universidades e o ensino é gratuito. Além disso, 100% das crianças com deficiências físicas e mentais têm a possibilidade de se prepararem para a vida em escolas especiais.
Em 1958, a precária situação da saúde pública se caracterizava por uma mortalidade infantil que ultrapassava 60 em cada mil nascidos vivos e a mortalidade materna, 118 mil em cada 10 mil. A taxa de mortalidade por gastrenterite era de 41,2 em cada cem mil e a de tuberculose, 15,9 em cada cem mil. Nas zonas rurais, 36% da população padecia parasitas intestinais, 31% malária, 14% tuberculose e 13% febre tifóide. A esperança de vida ao nascer era de 58,8 anos.
A capital do país tinha 61% dos leitos dos hospitais e 65% dos 6.500 médicos. No resto das províncias existia um médico em cada 2.378 habitantes e em todas as zonas rurais da nação existia apenas um hospital.
Atualmente, o atendimento médico é gratuito e Cuba dispõe de mais de 70 mil médicos, havendo um médico em cada 194 habitantes e quase 30 mil deles prestam serviços em mais de 60 países. Foi criada uma rede nacional de mais de 700 hospitais e policlínicas.
Em face da massificação da vacinação (neste momento, são aplicadas 13 vacinas em cada criança), foram virtualmente eliminadas doenças como a poliomielite, a difteria, o sarampo, a coqueluche, o tétano, a rubéola, a parotidite e a hepatite B. A mortalidade infantil é de 5,3 em cada mil nascidos vivos e a esperança de vida é de mais de 77 anos.
Também se prestam gratuitamente serviços médicos de alta tecnologia, que no âmbito internacional não são usualmente considerados básicos, como é o atendimento nas salas de cuidados intensivos nos hospitais pediátricos e de adultos, serviços de cirurgia cardiovascular, serviços de transplante, cuidados especiais de perinatologia, tratamento da insuficiência renal crônica, serviços especiais para a reabilitação física e médica, e outros.
Não só as medidas econômicas e sociais foram a prioridade do Estado revolucionário, mas também os esforços encaminhados a estabelecer a base jurídica interna que possibilitaria o exercício do direito à livre determinação, mediante uma participação direta da população na discussão, análise e aprovação das principais leis do país, entre as quais, a Constituição de 1976, aprovada por 97% dos cubanos maiores de 16 anos, mediante referendo ou outras leis importantes, como o Código Penal, o Código Civil, o Código da Família, o Código da Infância e da Juventude, o Código do Trabalho e da Previdência Social, etc.
Da mesma maneira, a livre determinação do povo cubano também se expressa no direito de defender a nação face à agressão exterior.
Atualmente, mais de quatro milhões de cubanos — trabalhadores, camponeses e estudantes universitários — estão organizados nas milícias em suas áreas de residência ou em suas fábricas e zonas rurais.
Desde 1959, Cuba teve que enfrentar a hostilidade de dez administrações norte-americanas, que pretenderam limitar o direito de livre determinação, mediante agressões e a imposição unilateral de um criminoso bloqueio econômico, comercial e financeiro.
É um princípio universalmente aceito da lei internacional, a proibição da coerção de um Estado contra outro, com o propósito de lhe negar o exercício de seus direitos soberanos. No artigo 24 da Carta das Nações Unidas, assinala-se que as nações deveriam se abster em suas relações internacionais da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.
Durante os últimos 45 anos, os Estados Unidos proibiram o comércio com Cuba, inclusive, alimentos e medicamentos; cancelaram a cota cubana de exportação açucareira; seus cidadãos são proibidos, com fortes sanções, de viajarem à Ilha; proíbem a reexportação de produtos de origem estadunidense que tenham componentes ou tecnologia norte-americana de terceiros países a Cuba; proíbem os bancos em terceiros países de terem contas em dólares com Cuba ou de utilizarem essa divisa em suas transações com a nação cubana; intervêm sistematicamente para impedir ou obstaculizar o comércio e a outorga de financiamento ou ajuda a Cuba por governos, instituições e cidadãos de outros países e organismos internacionais.
Essas medidas obrigaram o nosso país, na década de 1960, a reorganizar suas relações econômicas de uma maneira estrutural, pois se viu obrigado a isso, diante das circunstâncias e por ter criado todos seus mercados fundamentais nos países da antiga Europa oriental, designadamente na ex-União Soviética, impelindo-o a uma reconversão quase total de toda a tecnologia industrial, meios de transporte e outros.
Depois que Cuba perdeu seus mercados naturais no Leste europeu, o governo norte-americano acirrou o bloqueio mediante a Lei Torricelli, em 1992, sob o pretexto da "democracia e dos direitos humanos" para proibir as subsidiárias estadunidenses, estabelecidas em terceiros países e sujeitas a leis dessas nações, de realizarem operações comerciais ou financeiras com Cuba (sobretudo em alimentos e medicamentos), punir com a proibição da entrada nos portos norte-americanos, por 180 dias, de todos os navios que transportem mercadorias para ou de Cuba, medidas que, por serem extraterritoriais, não só prejudicam Cuba, mas também a soberania de outras nações, bem como a liberdade internacional de transporte.
Em 12 de março de 1996, o governo dos Estados Unidos pôs em vigor a Lei Helms-Burton, que agravou as relações entre os dois países e pretendeu atribuir-se o direito de sancionar os cidadãos de terceiros países em cortes norte-americanas, ao passo que determinou sua expulsão ou a negação do visto de entrada nos Estados Unidos, com o objetivo de obstaculizar o esforço que realiza a nação cubana para recuperar sua economia e para conseguir uma maior inserção na economia internacional. O governo dos EUA pretendeu pressionar a população cubana para fazê-la abrir mão de seu empenho de conseguir a livre determinação.
Mais recentemente, os EUA adotaram o Plano Bush, que pretende tornar Cuba uma colônia, mediante um programa anexionista de intervenção, sob o pretexto de uma "transição", onde o Departamento de Estado responsabilizou um de seus dirigentes pela "direção" da nação, quando o Estado revolucionário desaparecer. Este Plano, pelo qual George W. Bush decidiu "precipitar o dia em que Cuba seja livre", acirra o bloqueio e a pressão sobre os cubanos, inclusive, reprime as relações familiares dos cubanos residentes nos Estados Unidos, entrega recursos milionários aos grupos terroristas de Miami, bem como a seus mercenários subordinados à Repartição dos Estados Unidos em Havana e promove fórmulas para desestabilizar o país e incrementar a pressão internacional sobre a Ilha.
Esta hostilidade norte-americana teve outras manifestações de agressão que inclui desde a agressão militar pela Baía dos Porcos, em 1961, a guerra suja dos bandos contra-revolucionários, apoiados e munidos militarmente pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, a guerra bacteriológica contra as plantações (cana-de-açúcar, fumo e cítricos), animais (febre suína) e pessoas (dengue hemorrágica) , até os planos de sabotagem, bombardeios, mediante o uso de aviões espias e atentados contra os principais dirigentes da Revolução.
É bem conhecido o trabalho que as organizações terroristas realizam na execução de ações militares contra Cuba, a partir do território norte-americano, promovidas e financiadas pelos meios de comunicação em Miami, que recrutam constantemente aventureiros dispostos a virem a Cuba como espiões para perpetrarem ações de sabotagem, que declaram abertamente que não têm receio de serem processados nem condenados pelas autoridades estadunidenses.
Essa é a causa pela qual jovens patriotas colocam os interesses da nação sobre os pessoais, sacrificando, inclusive, seus parentes, e se infiltram nos grupelhos terroristas. Dessa maneira, conseguem saber de suas atividades, evitando o derramamento de sangue do povo cubano e norte-americano. Eles estão dispostos a pagarem o preço da irracionalidade política do governo dos Estados Unidos, como acontece hoje com os Cinco heróis presos injustamente nos cárceres norte-americanos por lutarem contra o terrorismo.
A isso soma-se o aparelho militar criado pelos Estados Unidos contra Cuba e as constantes atividades contra nosso país, bem como a ocupação ilegal da base naval de Guantánamo em território cubano (que hoje é uma prisão terrorífica), pedaço de território oocupado a Cuba pelos Estados Unidos no início do século passado e que o governo norte-americano se nega a devolver ao povo cubano.
No início de 1990, depois do colapso da União Soviética, isolada e vilipendiada pela reação internacional, Cuba suportou o golpe da perda de seus mercados e demonstrou que podia brilhar com luz própria, porque pôde suportar essa conjuntura pela extraordinária prova de resistência da maioria da população cubana.
A população cubana decidiu apoiar consciente e conseqüentemente a direção política do país, não só porque identifica o sistema com seu próprio interesse, mas também pela maneira responsável com que o Estado assume a crise, reorganizando as forças e projetando estratégias para buscar soluções, apesar do bloqueio norte-americano e dos condicionamentos de seus aliados europeus.
Os sacrifícios provocados por essa situação são duros, mas são suportados não só pelos avanços sociais conseguidos, mas também pela confiança nos dirigentes do país e pela apreciação das pessoas de que seu governo não é um governo decadente nem com crise em sua gestão ou carente de estratégias, mas sim um governo que demonstrou que, ainda nas mais difíceis circunstâncias, jamais deixou de atender a população.
Decorreram 50 anos e o processo libertador chegou até aqui na mesma direção daquela noite, quando Fidel, diante do povo que o aclamava, no quartel-general da tirania naquele momento, disse que talvez, a partir de agora, tudo fosse mais difícil, porque teríamos que lutar para fazer a Revolução.
Com certeza, é o desafio dessa luta a que está vigente nas atuais circunstâncias para eliminar os vícios e enaltecer as virtudes, com Fidel como soldado das idéias, como guia na luta pela liberdade e pela independência.
Os inimigos de Cuba apostam no contrário. Neste mundo, onde a política é uma charge, não podem entender que esta Revolução é um processo de continuidade no seu pensamento e na sua ação e que Fidel continuará sendo o líder da Revolução de hoje e de amanhã, que além de cargos e de títulos, continuará sendo o conselheiro de idéias, ao qual sempre deveremos acudir, porque Fidel conseguiu ultrapassar a vida política para se inserir como algo íntimo na vida familiar da imensa maioria dos cubanos.
sábado, 13 de dezembro de 2008
Guia de Profissões
Ciências Sociais (SOCIOLOGIA)
A carreira
O presidente Fernando Henrique Cardoso já disse mais de uma vez que sua formação como sociólogo o ajudava a tomar decisões no governo, na medida em que lhe permitia entender melhor as contradições sociais. A área de estudos do cientista social é realmente vasta: engloba a história, a cultura e a evolução das sociedades.
Tradicionalmente, a ciência social é vista como um reduto de intelectuais. Mas, nos dias de hoje, a atuação desses profissionais é bastante concreta e objetiva. Indispensáveis nas campanhas eleitorais. Eles fincaram os pés em institutos como o IBOPE e o Vox Populi, em que tentam interpretar o comportamento dos eleitores. Até nas agências de publicidade eles são cada vez mais requisitados, para elaborar e interpretar pesquisas que ajudam a entender o público para o qual um produto é destinado.
Dividida em três grandes especializações - sociologia, antropologia e ciência política -, a carreira tem a vantagem de unir teoria e prática. "Minha tarefa é mapear os conflitos pela posse de terras devolutas. Vivo em contato com o MST, a Comissão Pastoral da Terra, a CUT e os sindicatos rurais do Estado", conta Manoel Dimas Tavares, 31 anos, que atua no Centro de Solução de Conflitos Fundiários do Instituto das Terras do Estado, em São Paulo. Trabalhos feitos em campo, como o de Tavares, são freqüentes - e, no caso dos antropólogos, fundamentais. Pesquisadores das origens e da evolução do homem, esses profissionais atuam com base na observação da vida de uma determinada população ou comunidade.
O mercado
O maior empregador é o Governo - Federal, Estadual e Municipal -, que contrata 30% dos sociólogos brasileiros. As ONGs e agências como o IBGE, o INCRA e o IBAMA também são nichos para os cientistas sociais. Cresce a área de pesquisas de opinião pública, o grande filão da carreira nos próximos anos. Para os antropólogos, as oportunidades ficam por conta da FUNAI, que tem pelo menos 150 áreas indígenas para demarcar nos próximos anos.
Em alta: Pesquisas de opinião.
O curso
No primeiro ano, você vai estudar os fundamentos da antropologia, da sociologia e da ciência política, com muitos trabalhos de análise e interpretação. Nas aulas práticas, aprenderá a fazer pesquisa de campo e a interpretar dados estatísticos. A opção por uma das três áreas é feita no terceiro ano. Duração média: quatro anos.
Matérias
- Antropologia- Economia- Estatística- Geografia Humana e Econômica- História Econômica, Política e Social (Geral e do Brasil)- Metodologia e Técnica de Pesquisa- Política- Sociologia
“A Sociologia e a Reconstrução da Realidade”
A realidade não é susceptível de apreensão imediata, e sua reprodução para os fins da investigação científica, exige o concurso de atividades intelectuais complexas. Essas atividades são naturalmente reguladas por normas de trabalho fornecidas pela própria ciência. Isso significa que a descrição e a explicação científicas da realidade repousam fundamentalmente, em certas operações elementares através das quais as instâncias empíricas que reproduzem os aspectos essenciais dos fatos ou fenômenos investigados são obtidas, selecionadas e coligidas em totalidades coerentes.
É nesse contexto que o sociólogo está inserido. Na sua profissão, o seu compromisso maior está em produzir ciência. Para realização de seu trabalho tem que haver método e distanciamento de seus valores culturais, religiosos etc. Ele deve observar sistematicamente os fatos. O sociólogo se preocupa em identificar um fenômeno sociológico para poder estudá-lo a fundo. O seu olhar deve ser puramente científico, não cabendo assim, os seus valores e pré-noções para qual explicação venha dar. Se por exemplo, o sociólogo pretende estudar a família, ele a estudará enquanto instituição, com um papel social a ser investigado para se saber a sua relevância e onde ela se encaixa na vida das pessoas. Não caberá, portanto, ao sociólogo dar sua opinião previamente sobre família, muito menos a enxergar através de olhar com formação cultural. Enfim, a sociologia enquanto ciência procura desmistificar as idéias pré-concebidas e com isso desconstruir as verdades aparentes que temos sobre as coisas para, assim, as entendermos na sua essência.”
Campos e subdivisões da Sociologia
Alguns campos ou subdivisões da sociologia são institucionalizados, outros não são institucionalizados. Em alguns países, alguns campos, subdivisões ou tópicos estão presente com maior intensidade. Em outros, nem fazem parte das preocupações, necessidades e ou interesses. Muitas vezes surgem e se consagram. Muitas vezes não se consagram. Muitos lutam para fazer com que uma dada subdivisão seja institucionalizada. Outros podem lutar para que não seja institucionalizada. Outros, não se importam.
Alguns criticam a fragmentação e subdivisões. Outros apóiam. Para outros, tanto faz.
Nenhuma novidade. Isso também ocorre em outras ciências, inclusive nas ciências naturais.
A questão aqui é o interesse, a necessidade, a motivação, o jogo político, a ação, a racionalização inclusive da ação, a visão de mundo, a atitude. O aparecimento ou não de um determinado campo ou subdivisão também vai depender do desenvolvimento das relações sociais, dos aspectos culturais, do tipo e grau de desenvolvimento capitalista, do jogo entre as classes sociais e do jogo intraclasse social. Vai depender do jogo intra e inter instituições, inclusive instituições educacionais. Vai depender das condições objetivas e subjetivas. Da realidade social concreta tal e qual se ela apresenta num dado momento histórico, econômico e cultural. Um campo ou subdivisão da sociologia pode se apresentar de forma conservadora ou crítica no momento de sua criação. Para procurar manter o status quo ou para radicalizar o processo de transformação social em uma determinada direção. Mas o processo não é estático, é dinâmico, é dialético. Um processo em constante transformação. Um campo ou subdivisão da sociologia pode surgir com características conservadoras e depois se tornar crítica. Ou pode ocorrer o contrário.
Na verdade não é a criação de campos ou subdivisões da sociologia que determinam o seu caráter. Apenas reflete o interesse, a necessidade, a motivação, o jogo político, a ação, a racionalização inclusive da ação, a visão de mundo, a atitude. Será a produção, a ação dos indivíduos envolvidos, a visão de mundo, que determinarão sua forma e conteúdo. Forma e conteúdo que podem ser contraditórios e ou antagônicos. Sempre dinâmicos. Em um mesmo campo ou subdivisão existem ou podem existir diversas “linhas” de atuação, de produção, de teorias, de instrumentais analíticos lógico-teórico-metodológicos diversos. O caráter da práxis é a própria práxis. Acredito que não devemos julgar, à priori, como negativa o caráter de uma nova subdivisão da sociologia. Por que fazemos pré-julgamentos? Julgar a partir de qual referencial? De qual paradigma ou até, de qual ideologia?
Ainda, a criação de campos ou subdivisões da sociologia em diversos países e ou regiões do planeta não é simétrico e também não estão no mesmo “timing”. O interesse, a necessidade, a motivação, o jogo político, a ação, a racionalização inclusive da ação, a atitude, a visão de mundo, também não. Aliás, para qualquer tipo de ciência.
Algumas áreas da sociologia ou campos de estudo:
Sociologia Sistemática, Sociologia Rural, Sociologia Urbana, Sociologia Industrial, Sociologia do Trabalho, Sociologia do Desenvolvimento, Sociologia Política, Sociologia da Educação, Sociologia do Esporte ou Sociologia dos Esportes ou Sociologia do Desporto, Sociologia do Adulto (Novidade), Astrosociologia (Novidade), Sociologia do Gênero, Sociologia da Família, Sociologia do Jovem, Sociologia da Terceira Idade, Sociologia da Saúde, Sociologia Médica, Sociologia do Crime, Sociologia do Direito, Sociologia Ambiental ou Sociologia do Meio Ambiente, Sociologia da Cultura, Sociologia da Religião ou Sociologia das Religiões, Sociologia Jurídica, Sociologia Econômica, Sociologia do Conhecimento, Sociologia do Lazer, Sociologia da Comunicação, Sociologia da Migração, Sociologia Cibernética ou Sócio-cibernética, Sociologia do Ciberespaço, Sociologia do Turismo, Sociologia Comparativa ou Sociologia Comparada, Sociologia da Ciência ou Sociologia das Ciências, Sociologia da Globalização, Sociologia das Instituições, Sociologia das Gerações, Sociologia Quantitativa, Sociologia da Informação, Sociologia do Sexo, Sociologia das Desigualdades, Sociologia das Profissões, Sociologia da Reprodução Social, Sociologia das Relações Internacionais, Sociologia Histórica, Sociologia da Produção, Sociologia da Vida Cotidiana ou Sociologia da Vida Quotidiana, Sociologia da Discriminação Social, Sociologia da Demografia, Sociologia das Organizações, Sociologia das Classes e da Estratificação Social, Sociologia da Arquitetura, Sociologia da Infância, Sociobiologia, Sociologia da Punição, Sociografia, Sociologia do Estado, Sociologia do Tempo, Sociologia do Desvio e do Interacionismo, Sociologia da Guerra, Sociologia Visual, Sociologia do Terrorismo, Sociologia dos Transportes, Sociologia da Mudança Social, Sociologia da Raça, Sociologia da Matemática, Sociologia da Música, Sociologia da Literatura, Sociologia da Emoção, Sociologia do Corpo (novidade), Sociologia da Linguagem, Sociologia da Física, Sociologia Indígena, Sociologia da Sociologia ou Sociologia das Sociologias.
Estes são apenas alguns exemplos. Muitas vezes podem aparecer como áreas de concentração ou de especialização. Outras vezes como disciplinas optativas. Algumas podem fazer parte de um curso de Ciências Sociais como obrigatórias e outras como optativas. Ou ainda podem fazer parte de outro curso: No curso de Turismo, pode talvez constar Sociologia do Turismo.
Poderíamos ainda falar de Sociologia Geral, Sociologia Geral I, Sociologia Geral II, etc.
Prof. Roberto Sérgio(robertosociologo@hotmail.com)
